
"Ah, muleque!", exclama Conte ao saber da confirmação da greve
A greve trabalhista no futebol italiano é, de fato, um acontecimento terrível para todos que acompanham o futebol da Bota. Porém, os torcedores bianconeri têm motivos para se sentir... digamos, "aliviados" com este adiamento. Especialmente Antonio Conte.
Não. Não estou batendo de frente com as palavras que escrevi nesta mesma coluna há cerca de um mês. Ainda acredito que, a não ser que a Juventus seja goleada várias vezes no início do campeonato ou que seja lanterna ou coisa do tipo, Conte não deve perder o emprego antes do fim do campeonato. Uma temporada inteira, para mim, é o mínimo necessário para que um treinador precisa para ter seu trabalho avaliado (salvo se catástrofes como as citadas acima aconteçam).
Porém, a luz amarela está acesa para o técnico.
Em uma coluna anterior contestei a maneira como o time jogou nos amistosos realizados nos EUA, apesar das vitórias. Um dos nossos leitores comentou que gostaria que a Juventus jogasse como jogava sob o comando de Capello: feio, mas eficiente. Sim, se o time jogar de maneira horrível e ganhar, é o que importa, especialmente um clube com a imagem tão desmoralizada como acontece com a Juventus nos últimos anos.
Acontece que desde que o time voltou a solo italiano, além de continuar jogando mal, errando passes infantis, não sabendo o que fazer com a bola no ataque, levando gols e mais gols em bolas paradas, ele também parou de vencer. Aliás, para se dizer a verdade, as únicas vitórias do time nesta temporada (em jogos de 90 minutos) foram contra duas equipes mexicanas. Contra europeus nada de vitórias.
O que me chamou a atenção para este assunto foi o Troféu Berlusconi (foto), o jogo mais emblemático até aqui. Como relatei, o Milan dominou a Juventus e deu-lhe o golpe de misericórdia já no primeiro tempo, sem dificuldades, ainda no primeiro tempo. Mas foi um Milan sem Pato, Ibrahimovic, Robinho (reforço?), Zambrotta e Thiago Silva. E os bianconeri jogaram com força total.
Ou seja, não estou sendo paranóico. Volto a dizer: que não façam de Conte um novo Ferrara. Não. Mas ele tem que melhorar bastante o time. Os laterais precisam apoiar mais, a zaga precisa treinar a bola parada, os quatro homens de meio de campo precisam se entrosar e alimentar melhor o forte ataque, este que é o setor mais forte da equipe.
Na coluna do último dia 30, cornetei Marchisio. E ele, amigão meu, que lê absolutamente todas as minhas colunas, tratou de melhorar seu jogo. Foi bem no Berlusconi e no Troféu TIM. Então, volto a usar este meio de comunicação de extensas massas para mandar um recado ao rapazinho loiro vindo da Sérvia.
Sim, Krasic está muito mal. Creio que o bom ou mau desempenho do meio de campo passa pelos pés do rapaz. No Berlusconi, ele correu o tempo inteiro, mas só fez bobagens com a bola. Foi inacreditável. Nem Brandão, quando passou pelo meu time, me fez tanta raiva.
Vidal ainda apareceu pouco, mas, coitado, nem deve ter desfeito suas malas ainda e ainda tem um treinador que o escalou no ataque, no inexplicável 4-2-4. Vamos dizer que ele está se adaptando ao fuso-horário, que tal?
Brincadeiras à parte, Conte tem muito trabalho a fazer e a greve pode tê-lo ajudado. Fosse neste fim de semana a estréia na Serie A, acredito, piamente, que a Udinese sairia com os três pontos. Esperamos que nesses 15 dias de treinamentos à frente possam ser o bastante para Conte resolver problemas de bolas aéreas, entrosamento, adaptação ao fuso-horário, etc.
Tomara que o amigo Marchisio, certamente lendo esta coluna, repasse-a aos companheiros de equipe. Se o time chegar no Friulli no próximo dia 10 e golear a Udinese, podem me agradecer e pedir os números da Mega.

"Pode deixar, pai, vou falar com a moçada..."




