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sábado, 27 de agosto de 2011

Coluna "Minha Juve" - Conte deve estar feliz com a greve

"Ah, muleque!", exclama Conte ao saber da confirmação da greve

A greve trabalhista no futebol italiano é, de fato, um acontecimento terrível para todos que acompanham o futebol da Bota. Porém, os torcedores bianconeri têm motivos para se sentir... digamos, "aliviados" com este adiamento. Especialmente Antonio Conte.

Não. Não estou batendo de frente com as palavras que escrevi nesta mesma coluna há cerca de um mês. Ainda acredito que, a não ser que a Juventus seja goleada várias vezes no início do campeonato ou que seja lanterna ou coisa do tipo, Conte não deve perder o emprego antes do fim do campeonato. Uma temporada inteira, para mim, é o mínimo necessário para que um treinador precisa para ter seu trabalho avaliado (salvo se catástrofes como as citadas acima aconteçam).

Porém, a luz amarela está acesa para o técnico.

Em uma coluna anterior contestei a maneira como o time jogou nos amistosos realizados nos EUA, apesar das vitórias. Um dos nossos leitores comentou que gostaria que a Juventus jogasse como jogava sob o comando de Capello: feio, mas eficiente. Sim, se o time jogar de maneira horrível e ganhar, é o que importa, especialmente um clube com a imagem tão desmoralizada como acontece com a Juventus nos últimos anos.

Acontece que desde que o time voltou a solo italiano, além de continuar jogando mal, errando passes infantis, não sabendo o que fazer com a bola no ataque, levando gols e mais gols em bolas paradas, ele também parou de vencer. Aliás, para se dizer a verdade, as únicas vitórias do time nesta temporada (em jogos de 90 minutos) foram contra duas equipes mexicanas. Contra europeus nada de vitórias.

O que me chamou a atenção para este assunto foi o Troféu Berlusconi (foto), o jogo mais emblemático até aqui. Como relatei, o Milan dominou a Juventus e deu-lhe o golpe de misericórdia já no primeiro tempo, sem dificuldades, ainda no primeiro tempo. Mas foi um Milan sem Pato, Ibrahimovic, Robinho (reforço?), Zambrotta e Thiago Silva. E os bianconeri jogaram com força total.

Ou seja, não estou sendo paranóico. Volto a dizer: que não façam de Conte um novo Ferrara. Não. Mas ele tem que melhorar bastante o time. Os laterais precisam apoiar mais, a zaga precisa treinar a bola parada, os quatro homens de meio de campo precisam se entrosar e alimentar melhor o forte ataque, este que é o setor mais forte da equipe.

Na coluna do último dia 30, cornetei Marchisio. E ele, amigão meu, que lê absolutamente todas as minhas colunas, tratou de melhorar seu jogo. Foi bem no Berlusconi e no Troféu TIM. Então, volto a usar este meio de comunicação de extensas massas para mandar um recado ao rapazinho loiro vindo da Sérvia.

Sim, Krasic está muito mal. Creio que o bom ou mau desempenho do meio de campo passa pelos pés do rapaz. No Berlusconi, ele correu o tempo inteiro, mas só fez bobagens com a bola. Foi inacreditável. Nem Brandão, quando passou pelo meu time, me fez tanta raiva.

Vidal ainda apareceu pouco, mas, coitado, nem deve ter desfeito suas malas ainda e ainda tem um treinador que o escalou no ataque, no inexplicável 4-2-4. Vamos dizer que ele está se adaptando ao fuso-horário, que tal?

Brincadeiras à parte, Conte tem muito trabalho a fazer e a greve pode tê-lo ajudado. Fosse neste fim de semana a estréia na Serie A, acredito, piamente, que a Udinese sairia com os três pontos. Esperamos que nesses 15 dias de treinamentos à frente possam ser o bastante para Conte resolver problemas de bolas aéreas, entrosamento, adaptação ao fuso-horário, etc.

Tomara que o amigo Marchisio, certamente lendo esta coluna, repasse-a aos companheiros de equipe. Se o time chegar no Friulli no próximo dia 10 e golear a Udinese, podem me agradecer e pedir os números da Mega.

"Pode deixar, pai, vou falar com a moçada..."

sábado, 30 de julho de 2011

Coluna "Minha Juve" - Nem fede, nem cheira

O esquisito time que entrou em campo contra o Chivas (LaPresse)
Sim, esta coluna deveria acontecer às sextas. Porém, esta sexta foi corrida para este que vos escreve e aqui está ela, sem falta, novamente na madrugada de sábado. Afinal, antes tarde do que nunca.

Antes de mais nada, peço perdão pelos enganos na coluna da última sexta (ou sábado, como queiram). Devo confessar que realmente não conhecia o futebol de Vidal e Pazienza e tive uma dúvida terrível na hora de encaixá-los (e não sei de onde tirei que Sorensen era volante...). Mas a participação de vocês foi muito boa, através dos comentários.

Na coluna desta semana não podemos tratar de outro assunto, além da viagem do time pelos Estados Unidos da América, onde realizou três amistosos. Sim, foram três apresentações taticamente deploráveis do time. Mas, ao mesmo tempo, penso que não há motivos para pânico - por enquanto.

Por quê?

Conte é recém-chegado. Isso deveria ser explicação o bastante. A equipe da Juventus não é uma equipe nova apenas para o ex-treinador do Siena. O time é novo, também, para os jogadores. Tanto no esquema tático, quanto nas peças individuais. Isso leva tempo para se acertar. Uma equipe não leva três partidas (muito menos amistosas) para alcançar o entrosamento. Percebi algum pessimismo de certos colegas. É compreensível, porém, eu prefiro esperar um tempo maior para tirar minhas conclusões.

Explicando o título da coluna: o time foi mal. Mas foram três compromissos que não valeram absolutamente nada. Valeu pela viagem, pela homenagem do grande Phillies, pelo contato com o público no Central Park. Mas, o que se viu em campo, me trouxe mais dúvidas do que definições.

Alex dá autógrafos aos fãs estadunidenses (LaPresse)

Dúvidas que me vieram à cabeça com estes amistosos: o que Marchisio quer da vida? O que Bonucci quer da vida? De Ceglie vai continuar com sua timidez? Qual raios é a formação de Conte, do meio para frente?

Algumas pequenas definições também: Pirlo caiu como uma luva. Lichtsteiner, uma melhora considerável na direita. Em alguns momentos, a troca de passe no meio de campo foi de dar gosto. Pepe, essencial. Pasquato pode ser importante. Pazienza, bom.

Das três partidas, a que mais importou, contra o Sporting, de Portugal, foi aquela na qual o time foi mais dominado e única onde saiu derrotado. A formação apresentada foi Buffon; Lichtsteiner, Barzagli, Chiellini e Ziegler; Krasic, Pirlo, Pazienza e Marchisio; Quagliarella e Matri. Foi a disposição tática que mostrei na semana passada, com duas diferenças - rá!

Nos outros dois jogos, contra América e Chivas, ambos do México, apenas muitas experiências - loucas - de Conte com o time, incluindo um 4-2-4 ou 4-3-3, não sei, era algo impossível de se ler na tela da tevê. Foram duas vitórias pelo placar mínimo, com ambos os gols sendo originados de falhas grotescas dos adversários. Mesmo com as vitórias, foram atuações medíocres, na minha opinião.

Conte, que deu uma de Professor Pardal nos dois últimos jogos (LaPresse)

Como mencionei, acredito que o trabalho de Conte merece tempo. Bastante tempo. Uma temporada completa, para ser preciso. O time está desenhado e deverá contar com as ótimas adições de Lugano e Vucinic, como jornais informaram nesta semana. Além, é claro, da inclusão de Vidal (banco para Marchisio?). Como escrevi na semana passada, é um tim bom e digno de lutar pelo trigésimo scudetto. Mas paciência é o mais importante.

Que Conte não sofra o mesmo que sofreu Ferrara e tenha tempo para fazer o time funcionar.

sábado, 23 de julho de 2011

Coluna "Minha Juve" - O time toma forma


Olá, amigos bianconeri.

Trago a vocês uma novidade no blog, que dependerá muito da participação de vocês. Em conversas da equipe, decidimos abrir um espaço semanal destinado especificamente para a opinião de nós da equipe sobre algum assunto da Juventus.

O foco do nosso trabalho diário é sim trazer um noticiário isento de opiniões, mas, este espaço, onde escreveremos todas as sextas-feiras, se faz necessário, para que todos nós possamos nos aprofundar em diversos assuntos relacionados a este clube que tanto amamos.

E isso não funcionará sem a participação de vocês. Afinal, não temos a intenção de impor a nenhum de vocês o nosso ponto de vista e a nossa forma de raciocínio. Visamos meramente expô-los a vocês e ouvir de vocês se concordam, se discordam, por que não concordam, etc. Portanto, sintam-se em casa, afinal, a Juve é de todos nós.

Como inauguração, vamos tratar da esquematização da equipe de Conte, que começa a tomar forma. Contratações ainda se fazem necessárias, obviamente, mas vamos fazer uma análise do grupo de jogadores à disposição no momento.

Veja a possível disposição tática da equipe até aqui, com as peças de reposição entre parênteses, e, na seqüência, uma análise separada de cada setor do time:

Clique na imagem para ampliá-la

Gol
Nada a dizer. Dois dos melhores goleiros da Itália.

Defesa
A confiável zaga se viu comprometida, em vários momentos da última temporada, em função da fraqueza dos laterais, que eram uma dor de cabeça constante. Porém, duas contratações pontuais foram feitas para ambas as laterais, com jogadores que chegam para assumir a titularidade.

Ziegler, bom marcador e muito bom apoiador, fez uma excelente temporada na Sampdoria, apesar da vergonhosa campanha do time de Gênova. Em janeiro, o Milan, inclusive, fez oferta pelo jogador, rejeitada pela Samp. Lichtsteiner também teve destaque na boa campanha da Lazio.

É extremamente improvável que estes dois não joguem melhor do que jogaram Motta, Grygera e Grosso nesta última temporada.

Meio de campo
A saída de Felipe Melo é uma perda para a equipe. Ele fez uma tremenda temporada tecnicamente e era essencial no auxílio à zaga e, em momentos, até na ligação com o ataque.

Sua saída deve ser um sinal de confiança em Sorensen, volante improvisado na lateral direita em vários jogos. Jogando na lateral, o dinamarquês sempre mostrou uma marcação individual muito boa, mas pecava quando ia ao ataque. Talvez desempenhe bem o papel de primeiro volante. A briga com Sissoko pela titularidade pode ser boa.

Relatos da imprensa italiana mostram que Pirlo se encaixou como uma luva no time e será titular absoluto. Sua chegada será um grande auxílio para Krasic, que sofreu em vários momentos por ser o único responsável do meio por criar jogadas. Marchisio tem sido utilizado em uma função bastante ofensiva, pelo lado esquerdo.

As peças de reposição do setor são animadoras. Pepe, Vidal e Pazienza podem repor com muita qualidade a saída de qualquer um dos titulares. Melhora significativa, sendo que, no ano passado, a reposição ficava a cargo de... Salihamidzic.

Ataque
Todos se lembram que, até a contusão de Quagliarella na última temporada, a Juventus era o melhor ataque da Itália, mesmo ainda sem Matri (e, pior, ainda com Amauri no elenco). Após sua saída, a coisa desandou. Em momentos, Del Piero era o único atacante disponível, quando Toni e Iaquinta também se machucaram.

Mas penso que este setor ainda é o mais forte do time. Quagliarella e Matri pode ser uma das melhores (não "a melhor") duplas de ataque da Itália. E isso todos sabem que não é uma fala de torcedor. É indiscutível.

Se com um meio de campo absolutamente fraco no quesito criação de jogadas o ataque conseguiu ser o melhor da Itália no meio da temporada (e com Amauri no elenco), ele tem tudo para aumentar sua produtividade com essa excelente dupla titular.

Treinador
Ainda é uma incógnita, convenhamos. É uma aposta. Afinal, duas Serie B não é um currículo invejável. Ele é uma aposta assim como foi Ferrara, mas com um pouco mais de experiência.

Nos treinos até aqui, ele demonstrou querer implantar um sistema bastante ofensivo. Não é possível afirmar que vai dar certo ou que não vai.

Uma "ajuda" que ele terá será o fato de ter que focar apenas na conquista do scudetto e não ter que se preocupar, por enquanto, com a enganosa Liga Europa.

O que ele mais necessita é paciência e tempo de trabalho, coisa que Ferrara não teve e, particularmente, achei um erro.

Mesmo se não receber mais nenhum reforço, o time que Conte tem nas mãos é bom e capaz de vencer o scudetto. Basta ele conseguir dar padrão de jogo, dar ao time a "sua cara", ter uma equipe constante, coisa que Del Neri não conseguiu realizar.

E você, o que acha?